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ESCOLAS ORIENTAM ALUNOS A PESQUISAR TEMAS ANTES DA AULA
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Técnica de preparo prévio, adotada em faculdades, facilita
envolvimento dos estudantes.
Acabou aquela história de que professor ensina e aluno
aprende. Algumas escolas particulares tem rompido essa
lógica que parece óbvia, mas hoje é tida como tradicional e
ultrapassada porque não combina com o mundo atual, em que as
informações estão disponíveis para quem quiser. Elas
passaram a exigir que os alunos cheguem preparados para as
aulas, com leitura prévia dos capítulos dos livros,
pesquisas sobre o assunto, buscas na internet.
“As aulas se tornam mais dialogadas e o professor também
precisa estar preparado para essa mudança”, diz a assessora
pedagógica do Colégio Rio branco, Vilma Rocha, que instituiu
o que foi chamado na escola de “ensino estruturado” no ano
passado. Ela conta que as aulas agora sempre começam
ancoradas no conhecimento prévio do aluno, pesquisando em
casa. Só depois o professor completa as discussões com mais
informações. “O aluno deixa de ser um elemento passivo.”
“O estudante precisa se preparar para aprender sozinho
porque no trabalho e na faculdade será assim”, diz Walkiria
Ribeiro, diretora-geral do Colégio Vértice, tido como o
melhor de São Paulo há três anos por causa de sua posição no
ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Seus
alunos, desde a 1ª série, são estimulados a preparar-se
previamente para as aulas, lendo o conteúdo que será visto
no livro didático e trazendo pesquisas de casa.
Ela conta que pede aos pais para não ajudarem os filhos
nesse tipo de atividade nem em lições de casa. No primeiro
mês do ano letivo, os estudantes aprendem a fazer a leitura
prévia, selecionar dúvidas, levantar vocabulário
desconhecido e preparar-se para a discussão em classe. E
isso não acontece só em aulas de história ou geografia,
cujos assuntos podem ser mais facilmente relacionados com
temas atuais. É preciso ler e pesquisar também sobre
logaritmos, química, física.
PARADIGMA
Para a educadora da Universidade de São Paulo (USP) Silvia
Colello, esse tipo estratégia é salutar e segue tendências
atuais. “Hoje o conhecimento está disponível e aprende
aquele que sabe procurar o que precisa.” Mas ela lembra que
o professor precisa estar preparado para lidar com o
imprevisível, já que os alunos trarão todo tipo de
informação sobre o tema.
“Os pais também precisam entender essa proposta e não achar
que o professor está deixando de fazer o seu papel”,
completa. “Essa estratégia pressupõe a multiplicação de
vozes na sala de aula e isso muda os paradigmas da escola.”
Gustavo Freitas Mancilha, de 16 anos, que estuda no 2º ano
do ensino médio no Rio Branco, diz que no começo foi difícil
se acostumar com a maior carga de trabalho em casa. “Mas
depois se torna um hábito. Você acaba descobrindo assuntos
que gosta.” A colega Nicole Goldman, de 15 anos, conta que
nem todos os alunos tem disposição para fazer leituras
prévias, pesquisas. “Fica claro que quem se prepara se sai
melhor depois.”
O costume de pedir leituras e pesquisas antecipadas é comum
em universidades, pois se imaginava que os alunos estariam
maduros para se deparar com um tema novo antes da
intervenção do professor. “Há uma tendência contemporânea de
se antecipar a pesquisa. Antes se imaginava que primeiro se
aprende e depois se faz pesquisa. Agora, isso acontece
junto”, explica Silvia.
Na Escola Castanheiras, que atende crianças apenas do ensino
fundamental, a estratégia não é sistemática, mas aparece
sempre que os professores percebem que alunos podem
contribuir com a busca de conteúdos. “É importante
instrumentalizar a criança para aprender a pesquisar. Hoje,
nem os pais nem a escola conseguem dar conta de todo o
conteúdo que ela precisa
Aprender”, diz a coordenadora pedagógica, Rosana De Pieri.
Ela conta, porém, que muitas vezes prefere que se pesquise
em computadores e na biblioteca da própria escola para
evitar a ajuda dos pais.
Em algumas escolas, a mudança é iniciativa de poucos
professores. No Colégio Santo Américo, o professor de
ciências César Pazinatto pede aos alunos que tragam
principalmente reportagens sobre temas que serão discutidos.
“Isso facilita a aula porque os alunos participam mais”,
conta. No Colégio Santa Maria, a aula de geopolítica deixou
de ser uma aula, diz a professora Adriana Freitas. “São só
oficinas de debates com os conteúdos trazidos pelos alunos”.
ESTRATÉGIA
• Aviso prévio: Professores avisam aos alunos qual assunto
será discutido na próxima aula
• Orientação: Os professores indicam aos estudantes os
capítulos de livros a serem lidos e sites na internet com
informações. Também pedem que os alunos busquem reportagens
de jornal
• Preparo: Os alunos leem e pesquisam em casa ou mesmo na
própria escola antes da aula
• Participação: A aula começa com a participação dos alunos,
que contam o que pesquisaram, posicionam-se sobre o tema e
trocam informações
• Monitoramento: O professor participa organizando o debate,
esclarecendo duvidas e acrescentando conteúdos
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