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Fazendo (ou não) a vontade dos pais
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Muita gente não percebe o quanto a família influi na sua
decisão
“Eu sou livre para fazer o que quero meus pais não vão
interferir na minha escolha.” Como uma linda bandeira ao
vento, esse pensamento costuma ser agitado na cabeça de
muitos estudantes, quando eles se vêem diante da definição
sobre sua futura carreira. Mas será que tais idéias sempre
correspondem aos fatos? Os especialistas em orientação
profissional acham que não. Eles assinalam que com
freqüência rapazes e garotas não estão conscientes do poder
que sua família exerce sobre seus atos, mesmo quando não
força a barra, apontando o que eles devem fazer.
Nos primeiros contatos que tem com os adolescentes que
orienta Norma de Fátima Garbulho, do campus da UNESP em
Bauru, recorda que eles normalmente garantem que seus pais
deixam por sua conta a definição da área onde irão atuar.
“No entanto, nas conversas posteriores, eu constato que a
escolha da carreira costuma ser feita a partir de valores
como sucesso e bem – estar financeiro, em vez de se basear
em informações precisas sobre essa atividade.” Segundo a
psicóloga, esses conceitos, que os jovens em geral assumem
sem analisar direito, são assimilados principalmente no
universo familiar.
Muita influência
Norma esclarece que a família pode influir sobre o
adolescente de duas maneiras diferentes. A primeira delas é
direta e acontece quando o pai, o tio ou um irmão, por
exemplo, sugerem explicitamente uma dada carreira. A outra
forma, de acordo com a psicóloga, é a influência implícita,
na qual os pais não dizem claramente o que desejam. “No
entanto, eles passam a seus filhos determinados valores,
como dinheiro e status, e os associam a certas profissões ou
profissionais.”
Na opinião da psicóloga, os familiares podem reforçar
sutilmente uma certa escolha quando colocam nas nuvens um
campo de carreira com a qual no fundo não se identificam.
“Eles fazem isso porque temem perder o afeto dos pais”,
explica. “E essa situação traz mais incertezas e
inseguranças”.
O psicólogo Paulo Motta, do campus da UNESP em Assis,
assinala que, na ânsia de ajudar, muitas vezes os familiares
acabam atrapalhando. Ele lembra que existem casos de jovens
que possuem propensão para determinados campos, mas não
investem neles devido a preconceitos de seus pais. “Há gente
que pensa que certas profissões, como a Enfermagem, por
exemplo, são femininas e não quer que seu filho entre
nelas.”
Pelo diálogo
Os familiares muitas vezes podem causar problemas, porem
isso no quer dizer, de maneira alguma, que tudo o que parta
deles seja errado. Se não devem simplesmente dizer amem ao
que os outros desejam, os adolescentes também não podem
declarar guerra a pais e parentes e se opor ao que eles tem
a lhes dizer.Ilda Caruso, do campus da UNESP em Assis,
considera fundamental a participação familiar na definição
por uma profissão. Por esse motivo a psicóloga acentua que o
jovem deve conhecer bem a historia de sua família, a fim de
compreender os projetos e aspirações que vem de seus pais ou
ate avós e que o acompanham desde o berço. “Há casos de
pessoas que só chegam a uma escolha a partir das conclusões
tiradas de sua historia de vida.”
Para Norma, é essencial que haja um dialogo franco dentro da
família. De acordo com ela, os pais não precisam reprimir
suas expectativas pessoais quanto ao futuro de suas
“crianças”, mas devem abrir o jogo, deixando bem claro o que
esperam. “Desse modo, seus filhos têm a chance de concordar
ou não com o que eles propõem. “A psicóloga afirma que é
necessário que os familiares ajudem os jovens a analisar o
que realmente querem para si. “Eles precisam alertá-los, por
exemplo, a respeito de possíveis fantasias e estereótipos
que estão por trás da atração por algumas carreiras.”
Por outro lado ela enfatiza que o adolescente tem que saber
ouvir o que os “velhos” dizem sobre questões como as
conseqüências de as escolha. Enfim, com conversa, muita
conversa, é mais fácil chegar a uma definição que satisfaça
tanto o futuro candidato a universidade como sua família. De
qualquer maneira, como Norma ressalta, a decisão final cabe
ao jovem. É a sua própria vida que ele está traçando ao
optar por este ou aquele caminho e, portanto, a
responsabilidade pelo rumo a ser seguido tem que estar nas
suas mãos.
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