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A Escolha de Profissão
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TUDO ao mesmo tempo, AGORA
Mergulhado em conflitos, o adolescente tem que encontrar
forças para tomar a decisão que pode mudar sua vida: a
escolha de uma carreira profissional.
A escolha de uma profissão é uma decisão fundamental em
nossas vidas. Afinal, passamos cerca de um terço de nossa
existência trabalhando, investindo razão e emoção no
desempenho de uma ou mais atividades que garantam o nosso
sustento. Dada a importância do passo, é compreensível que
parentes, amigos e conhecidos, todos imbuídos das melhores
intuições, queiram dar o seu palpite nessa hora. Para
piorar, essa decisão deve ser tomada em plena adolescência,
momento que todos nós, uns mais, outros menos, passamos por
importantes transformações. “Nessa fase, ao mesmo tempo em
que está tentando entender o mundo e construir a própria
vida, o jovem tem que escolher um caminho que pode
determinar toda sua existência”, afirma o psicólogo Paulo
Motta, da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da UNESP,
campus de Assis.
Muitas vezes, essa importante decisão é tomada com base na
admiração que o jovem tem por alguém. Outros fatores
importantes são a busca por melhores salários ou pela
profissão da moda, a certeza de que se tem uma vocação ou um
sonho acalentado desde a infância. “O melhor caminho é o
auto-conhecimento, buscando a atividade profissional mais
adequada à própria personalidade, levando em conta aquilo
que se gosta de fazer”, afirma a pedagoga Maria Beatriz de
Oliveira, da FCL, campus Araraquara.
O engenheiro e o administrador Luiz Carlos Queiroz Cabrera,
headhunter (caça-talentos para empresas) e professor da
Fundação Getúlio Vargas – São Paulo, alerta que o
vestibulando deve buscar o que chama de “empregabilidade”,
não o emprego. “Empregabilidade é a capacidade que um
indivíduo desenvolve de acumular e manter atualizadas suas
competências, rede de relacionamentos e o conhecimento, de
forma a ter sempre em mãos a decisão final sobre seu projeto
de carreira”, explica. Para a pedagoga Maria Beatriz,
diploma não é mais garantia de emprego. “Na economia
globalizada, as profissões cada vez relacionam mais e o
trabalho em equipe se tornou fundamental. A carreira pode e
deve ser construída buscando áreas de interesse e de
especialização.”
A psicóloga Eliana Arbex, autora do livro Escolher a
profissão (Editora Scipione), acredita que o maior perigo
para o vestibulando é a desinformação. “Há adolescentes que
confundem os seus desejos com os da família ou, ao
contrário, rejeitam sumariamente uma possibilidade só para
ter uma profissão diferente da do pai”, diz. “O excesso de
pressão dos familiares pode gerar aumento de irritabilidade,
inibição da criatividade e até mesmo quadros de
depressão”,completa a psicóloga Sônia Moraes Jaehn, da
Faculdade de Medicina, campus de Botucatu.
Para escolher a carreira certa, os testes vocacionais, muito
utilizados nos anos 1950, tornam-se cada vez mais
inadequados. “Eles foram criados há mais de 50 anos e
permanecem, basicamente, os mesmos”, avalia Motta. “Estão em
desuso e servem apenas para avaliar interesses
profissionais, que são circunstanciais, passageiros.”
Um exemplo de como a escolha profissional pode ser tortuosa
é o percurso do cineasta Pelópidas Cypriano, do Instituto de
Artes (IA), campus de São Paulo. Cypriano estudou Engenharia
Civil, Naval e Militar, além de Meteorologia e Medicina,
antes de se formar em Comunicação Social, com habilitação em
Cinema. Depois, fez mestrado em Editoração Eletrônica e
doutorado em Publicidade. “Somente com o doutorado na mão
percebi que queria ser um pesquisador que relacionasse as
mais diferentes áreas sem limitações ou preconceitos”,
conta. Eclético em sua formação, o cineasta não esconde sua
admiração por Leonardo da Vinci, um dos maiores gênios da
humanidade. “Engenheiro, músico e pintor, ele antecipou as
invenções do submarino, do helicóptero e do pára-quedas.
Orientação Vocacional e Redação
O JOVEM BRASILEIRO TEM MATURIDADE PARA ESCOLHER TÃO CEDO SUA
PROFISSÃO?
SILVIO DUARTE BOCK
Esta questão precisa ser analisada sob vários pontos de
vista.
Primeiramente, o que significa maturidade? O sentido usual
diz que ser maduro é estar “plenamente desenvolvido;
completamente formado”. Comparando com uma fruta, que ao
amadurecer está pronta para ser saboreada, poderíamos nos
perguntar se alguém estaria plenamente pronto para uma
escolha e mais ainda, de uma profissão?. Seria um processo
psico-biológico que em algum momento atingiria um ponto
ótimo? Nosso entendimento diz que isso não existe. O momento
da escolha não é possibilitado por um suposto
desenvolvimento psico-biológico, mas é dado
sócio-culturalmente. No Brasil, um jovem de 17 anos, de uma
camada social com maior poder aquisitivo, pode escolher uma
profissão de nível universitário. È muito cedo? Depende. Se
olharmos a sociedade como um todo, diremos que este jovem é
um privilegiado, pois pode escolher sua profissão, enquanto
que a maioria se engaja no trabalho muito mais cedo, quase
sempre sem nenhuma escolha. Comparando com jovens de alguns
países economicamente mais avançados, a escolha de profissão
aos 17 anos é muito precoce, pois a sociedade espera que
este jovem passe por experiências diversas antes da escolha
e ela se estrutura para que isto aconteça: a entrada na
universidade é mais tardia e o curso é montado como um funil
que permite ao estudante realizar escolhas profissionais com
mais idade.
Entretanto, isto parece não eliminar todo o problema, pois
nestes países, os serviços de orientação profissional ou de
carreira e a literatura (muitas vezes de auto-ajuda) atendem
adultos que querem ou precisam mudar de profissão, ocupação
ou emprego.
Por outro lado, o fenômeno da escolha (de qualquer coisa,
inclusive a profissional) é um atributo humano e isto é uma
das características que diferencia o ser humano de qualquer
outro animal. Quando uma pessoa vive um dilema de escolha, o
que se configura é a vontade de “querer” todas as
possibilidades, mas escolher significa dar preferências a
uma delas e este é um primeiro grande drama.
Estaria alguém pronto para realizar escolhas? Escolher
significa fazer um projeto que envolve um desconhecido que
atemoriza, isto é, pode dar ou não dar certo, e este é um
segundo drama de qualquer escolha: a insegurança faz parte
do processo. Portanto não existe escolha segura (existe sim,
uma escolha mais segura ou uma escolha menos segura).
Um terceiro drama do processo de escolha é a perda. Ao dar
preferência por uma das possibilidades se perde todas as
outras. Não é verdade o pressuposto de que só existe uma
alternativa que é a certa e que deve ser encontrada pela
escolha. Esta idéia fundamenta a ação dos tradicionais
testes vocacionais que procuram descobrir a profissão certa
para pessoa, uma vez que ela não teria condições de realizar
um olhar mais objetivo. Quando temos várias alternativas que
a princípio são igualmente atraentes, escolher uma delas
significa não ter acesso as outras e então uma questão
permanece: será que elas não seriam melhores? Dúvida
impossível de ser respondida.
A escolha, portanto pressupõe conflito e será mais segura se
a existência do conflito for aceita e houver uma busca de
informações a respeito das diversas alternativas; se levar
em conta a história da pessoa (autoconhecimento) e o
contexto em que ela se dá (econômico/ social/ político/
cultural/ tecnológico). Entretanto, tais conhecimentos não
resolvem o dilema da escolha, que só se dará através de um
profundo ATO DE CORAGEM. Este ato de coragem leva em conta o
objetivo e o subjetivo, o racional e o emocional e propõe a
elaboração de um projeto de intervenção sobre o passado
pessoal e social visando o novo que modifique, melhore ou o
supere.
Para finalizar, diríamos, que para quem pode escolher sua
profissão (e devemos lutar para que todos tenham esse
direito), tal ato não define o resto da vida de uma pessoa,
mas é apenas um passo, um primeiro passo do resto da vida e
que será seguido por várias outras situações que sempre se
constituirão como apenas primeiros passos. Por isso, o
problema central não é discutir se a escolha profissional no
Brasil é ou não precoce, mas dar condições para a pessoa que
vive o dilema tenha as maiores e melhores condições de
realizá-la e para isso, consideramos que todas as pessoas
deveriam ter o direito de escolher suas profissões ou
ocupações e passar por programas de orientação profissional
em suas escolas.
Silvio Duarte Bock é pedagogo pela PUCSP, foi Orientador
Educacional do Colégio Equipe de São Paulo, planejou,
implantou e coordenou o setor de Orientação Vocacional da
Fundação Carlos Chagas e atualmente coordena o NACE –
Orientação Vocacional e Redação.
e-mail: nace@mandic.com.br
internet: HTTP://pessoal.mandic.com.br/nace
R. Benedito Lapin, 157 São Paulo SP
04532-040 tefax: 829-2412
Essa é uma época difícil para os filhos, também para os
pais. Houve uma enorme mudança na natureza da infância
nesses últimos dez ou vinte anos. Essa mudança torna mais
difícil para a criança aprender as lições básicas do coração
e exige mais dos pais que costumavam transmitir essas noções
a seus filhos queridos. Os pais precisam ser mais espertos
para ensinar aos filhos noções emocionais e sociais básicas.
Talvez essa necessidade jamais tenha sido tão premente.
Vejam as estatísticas. Nas últimas décadas, o número de
homicídios entre adolescentes quadruplicou, o número de
suicídios triplicou, o de estupros dobrou. Por trás de
estatísticas sensacionalistas como essas há um mal-estar
emocional mais generalizado. Uma amostragem nacional feita
com mais de duas mil crianças americanas, avaliadas por pais
e professores – primeiro em meados da década de 70, depois
no final da década de 80 -, verificou que as habilidades
emocionais e sociais básicas da criança vêm decaindo a longo
prazo. Em geral, as crianças estão mais nervosas e
irritadiças, mais mal-humoradas, mais deprimidas e
solitárias, mais impulsivas e desobedientes – decaíram em
mais de quarenta itens.
Por trás dessa deterioração, há forças maiores. Antes de
mais nada, a nova realidade econômica significa que agora os
pais precisam trabalhar mais do que nas gerações passadas
para sustentar a família – o que quer dizer que hoje a
maioria dos pais tem menos tempo livre para passar com os
filhos do que seus pais tinham para passar com eles. Cada
vez mais famílias vivem longe dos parentes, muitas vezes em
bairros em que os pais têm medo até de deixar seus filhos
pequenos brincarem na rua, quanto mais de deixá-los ir à
casa de um amigo. E as crianças estão passando cada vez mais
tempo diante de uma tela de vídeo – seja assistindo à tevê,
seja olhando para um monitor de computador – o que significa
que elas não estão brincando com outras crianças.
Mas ao longo de toda a história da humanidade, foi com os
pais, parentes e vizinhos e brincando com outras crianças
que a criança aprendeu técnicas emocionais e sociais
básicas.
As conseqüências para quem não aprende os fundamentos da
inteligência emocional ficam cada vez mais funestas.
Indícios sugerem, por exemplo, que as meninas que não
aprendem a distinguir sentimentos como ansiedade e fome são
mais propensas a distúrbios alimentares, ao passo que as que
têm dificuldade de controlar os impulsos na primeira
infância são mais propensas a engravidar no final da
adolescência. Em meninos, a impulsividade dos primeiros anos
pode anunciar uma grande tendência à delinqüência ou à
violência. E, em todas as crianças, a inabilidade para lidar
com a ansiedade e a depressão é um fator que aumenta o risco
de abuso de drogas ou álcool no futuro.
Dada essa conjuntura, os pais precisam aproveitar o máximo
os preciosos momentos de convivência com seus filhos para
treiná-los no exercício de habilidades humanas chaves como
compreender pensamentos perturbadores e lidar com eles,
autocontrole e empatia.
Daniel Goleman,
autor de Inteligência emocional
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